quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Análise Besiktas 1-1 FC Porto - Resistir


Em primeiro lugar, é importante dizer que saíamos vivos do jogo mais difícil, no estádio mais difícil, contra a equipa mais difícil do nosso grupo. Pode custar a ouvir, certamente, mas alí está uma equipa de jogadores com tarimba, muito experimentados nestas voltas, com muita manha e maturidade, e nós somos uma equipa bem treinada, com boa vontade e muitas lesões. Essa é a indesmentível realidade dos factos. Quem a contrariar não estará certamente a ver o filme.

Ainda assim, creio que entramos bem. Creio que surpreendemos. Certamente o Besiktas não esperava que entrassemos algo organizados e proactivos, como entramos. Na primeira parte intensa e bem disputada marcamos - de bola parada como 60% (!) dos golos da Champions - numa jogada estudada plena de sabedoria, mas também fomos apanhados em contra-pé e vítimas do inevitável carrasco Talisca.

O Besiktas emendou na segunda parte, mudou o posicionamento de Hutchinson e partiu para cima do FC Porto. Aí, já foi mais complicado, Herrera sentiu-se perdido entre a missão ofensiva e defensiva e ficou partido, algures no limbo, o que possibilitou que o Besiktas dispensasse todo o seu arsenal atacante, mas também que José Sá brilhasse, quer em boas saídas, quer em defesas espectaculares. Gostei muito da postura autoritária e altiva de José Sá - mesmo na flash. E creio que já desde Baía que não via alguém sair tão bem à bola.

Também gostei muito da entrega de Brahimi e da calma e visão de jogo de Sérgio Oliveira. No meio de tanta azáfama ofensiva, Ricardo, do outro lado, teve nos pés o nosso apuramento directo, mas falhou-o de uma forma incrível, só desculpável pelos nervos ou a pressão do ensurdecedor barulho.

Aí, o Besiktas fechou definitivamente a loja, deixou de querer ganhar e nós contentamos-nos em não perder. Foi-se a história e o interesse. 

Temos o apuramento europeu garantido, dependemos só de nós para continuar na prova raínha do futebol. Mas será que quisemos MESMO ganhar? Encontraremos dia 6 um Mónaco focado na Ligue 1 e muito pouco interessado nisto, a não ser em fazer o ponto de honra. É a hora do tudo por tudo.

Não esteve nada mal, não senhor. No início do ano, ninguém iria supor. 

sábado, 18 de novembro de 2017

Análise FC Porto 3-2 Portimonense - Karma Instantâneo


Aconteceu neste jogo tudo o que temia. Entrou-se, de facto, com a mentalidade de serviços mínimos que, em bom rigor, já vi muitas vezes em muitos anos. 

A intensidade normal do FC Porto apagou-se completamente quando, aos 3 minutos, Danilo marca na sequência de um canto de Alex Telles. A partir daí, surgiu um FC Porto que não vira na era Sérgio Conceição em jogos relevantes - apático, desligado, trapalhão e confuso.

Hernâni e André André foram duas pedras inexistentes (o primeiro sempre desencontrado com a equipa, o segundo incapaz de fazer uma jogada com acerto), Felipe esteve desatento e com um passo estranho, Ricardo Pereira teve lances que nem parecem seus.

Pior, sentia-se que faltava urgência à equipa do FC Porto, aquela mesma urgência que faz com que, não raras vezes, ao intervalo já o jogo esteja bem encaminhado. Notava-se que os jogadores sentiam que, mais cedo ou mais tarde, a coisa se resolvia e, talvez pelo decisivo jogo na Turquia para a semana, ninguém quisesse, verdadeiramente, pôr o pé, para lá de Aboubakar, Óliver, Alex Telles e um muito bom Danilo Pereira.

O problema é que o jogo mastigado que teimou também em regressar na segunda parte, abriu caminho a que fosse Pedro Sá, com muita justiça, a dar vantagem à única equipa a deixar tudo em campo - o Portimonense. Karma instantâneo e matador. 

Só a partir daí foi então o FC Porto capaz de começar a reagir em termos, mas aí já entrou em jogo outro factor - o Portimonense decidiu dedicar-se ao anti-jogo e Artur Soares Dias, por acção e omissão, a inclinar o campo, quer ao não assinalar um penalti sobre André Pereira, que havia entrado, junto com um bom Brahimi para tentar pôr o FC Porto a jogar futebol. Absurdo o tempo com que se deixou fazer as substituições, absurda a forma como se permitiu a simulação de lesões e reposições de bola.

Só me pode dar vontade de rir quando os coisinhos - que jeito que dá a memória selectiva e a total falta de vergonha na cara! - ao queixarem-se do tempo de descontos e de faltas duras e por aí em diante! Afinal também falam de arbitragem, afinal também entram em delírio, que se lixe a paz no futebol!


Mas adiante. À medida que o fim do jogo se aproximava, retornava o FC Porto pressionante, sufocante e intenso, e foi então que Aboubakar e o inevitável Brahimi deram a volta ao resultado, em duas excelentes jogadas. Karma instantâneo, embalado por um fabuloso Mar Azul que fez acender a chama Draconiana e raçuda na equipa e acabar o jogo a jogar à FC Porto! 

Sérgio Conceição foi expulso pelo senhor João Pinheiro por causa de palavras (enfim, haveria quem nunca acabasse um jogo...) e creio ter sido esse o momento de fagulha que fez acender a chama.

Fica a lição à equipa. A Taça de Portugal é uma competição importante e com história , e deve ser encarada como tal. Não é ganha por decreto nem com a camisola. Fosse o FC Porto durante todo o jogo como nos sete minutos finais, e não haveria nada deste desgaste. Mas talvez esta seja a pedra de toque para próximas vitórias!

Já agora, que mau ambiente este homem provoca! É um balneário em fanicos!


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O Sonho Molhado do Benfasquistão


Se há algo que os últimos dias têm demonstrado com especial veemência, com destaque para a última publicação do Batalha 1893, é a forma como o poder centralista e tentacular estava enraizado nas diferentes estruturas, como a Desportiva, a Federativa, a Judicial e mesmo a Governamental.

E tinha um significado que vai para lá do próprio futebol: esperava-se transformar o mais popular clube nacional numa potência nacional dominadora, que demonstrasse a supremacia da capital do império no seu esplendor e a forma como estaria acima de todos os outros.

A verdade seria, nesta narrativa, apenas opcional, secundária e de importância relativa. Afinal, se todos os que jogassem no tabuleiro quisessem e não se importassem de perder sempre, a troco de uns berlindes e de umas saquetas de cromos, porreiro. Corria-se com o chato da província e era tudo bonito, entre amigos, a cantar o Giroflé.

Temos pena. Este sonho do benfasquistão vai ter de ficar para muito mais tarde, assim tipo a tarde do Dia de São Nunca. Sim, porque a apatridarização de uns quantos labregos lá de cima a troco de umas moedinhas de chocolate estava garantida. Davam-se abraços sorridentes para empurrar o mauzão da frente e depois, quando não importassem mais, chutavam-se bem chutados com a bota Botilde. 

É triste que este seja o estado das coisas neste momento. É horrível sentir o quanto algumas pessoas não querem mesmo saber como são tratadas e preferem estar ao lado de quem sempre os vê como inferiores. Esta guerra já teria tido outra força.

Mas se não estamos acompanhados, estaremos sós. A lutar contra tudo. A cortar molusco às fatias.

NOTA: É curiosa esta dança de entalados - um sabe que não poderia deixar o outro cair porque este cantaria como um passarinho. O outro não pode tramar o primeiro - que não perde uma oportunidade de o rebaixar e humilhar publicamente, na vã esperança que este desista - porque ninguém mais o empregaria. Curiosa, esta dança. Palpita-me que acabem os dois bem torrados.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Não É Problema Meu...


Desde o início deste blog que venho, repetidamente, junto com muita da Bluegosfera, alertando para o facto deste estado lampiânico não se cingir às instâncias desportivas. Há muito, muito tempo, que alerto à posição do Carlinhos de Paredes e do seu minion Huguinho em relação ao FC Porto. Quem não se lembra do spot publicitário acerca do jogo do FC Porto para a Champions com imagens de jogadores do benfas?

É por isso que não me surpreende nada que tenha acontecido a vergonha que aconteceu ontem, quando um dos maiores guarda-redes História do Futebol recebeu o prestigiadíssimo Golden Foot - e enquanto projectos de guarda-redes e outros na reserva davam conferências a dizer que o puto quer ser o "melhor do mundo" - a legenda da reportagem tenha sido "Suplente Premiado".  Suplente Premiado. O coisinho alí da esquina que foi receber ali um bocado de lata.

Evidentemente, Iker Casillas sofre do problema de vestir as cores erradas. Afinal, ao tempo que Júlio César está no banco, atrás de um miúdo que ainda precisa de Clerasil, e não há problema algum. Mas a questão não é Iker. Iker está-se positivamente a borrifar para isso. A questão está na forma triste e comezinha como a televisão do Estado se submete e propagandeia a ideia de que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem. Basta ver os oradores de futebol do WebSummit: o presidente da Liga, os dois guarda-redes do benfas e um membro da SAD e o presidente do sportem. Elasse, nada do mais titulado campeão português internacionalmente, bicampeão do mundo de clubes e vencedor de Ligas Europa e Champions Leagues. Ah, e actual primeiro classificado da Liga Portuguesa, isolado. A imagem que dá ao mundo é triste, estranha, um pouco paradoxal e confusa.

Também a questão de Fernando Madureira só surpreende quem não vê o apoio explícito e implícito que o IPDJ dá às claques - sim, são CLAQUES - do benfas, e a forma como ignoram ASSASSINATOS e EXULTAÇÕES PÚBLICAS do mesmo. É, afinal, muito fácil castigar o líder de uma claque legalizada e ser, uma vez mais, ridículos na ejaculação precoce com que o fazem. Naturalmente, Madureira irá recorrer e, muito provavelmente, dirimir os pífios argumentos que levaram ao seu castigo - especialmente porque ele não pode ser pessoalmente responsabilizado por algo que não fez e que até, por mau gosto que tenha, seja parte do consagrado direito da liberdade de expressão.

O que me surpreende e revolta é a apatia e ausência de reacção da Estrutura Directiva do Futebol Clube do Porto em relação aos dois assuntos, quando até blogues afectos ao sportem  reagiam a este absurdo do castigo a Madureira face a um sepulcral silêncio oficial do FC Porto e uma apatia total em relação ao caso do "Suplente Premiado" que ainda nos faz parecer mais trengos e parolos. Se a Lenda Viva que temos no nosso plantel não vê o seu bom nome defendido pela Estrutura Portista, como esperar que os media deixem de nos tratar da forma que tratam

Afinal, bem vistas as coisas, e ao contrário da CMTV com o sportem, continuam todos a ser bem recebidos no Estádio do Dragão e na Sala de Imprensa, incluindo Anti-Portistas primários....

Se ao menos quem nos dirige tivesse metade da garra dos que estão em campo....

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O Drama Centralista da Ejaculação Precoce


Pois é, anda tudo numa fona pelos lados do epicentro do mundo, ou seja, a segunda circular. Voltou o "papão pacóvio" no seu melhor - desdobram-se em declarações e comunicados sobre Vales Tudos e companhia, sem nenhum toque de ironia, nem sequer pestanejar, falam de penaltis sem olhar em causa própria, desdobram-se em declarações sobre invasão de vida privada, e têm ejaculações muito precoces quando ouvem a palavra "buscas" e o termo "FC Porto" na mesma frase.

De nada interessa o facto de que isto não têm a ver com o FC Porto, mas sim com o Marselha, e que o FC Porto está, meramente, a colaborar. De nada importa que se adultere, pela enésima vez, a verdade sobre os factos e a sua importância: numa altura em que o Al Carnidão tem a pior performance de sempre da Champions, tudo serve para fazer misdirection - seja os tempos de utilização de jogadores, seja as hipóteses de renovação ou não de jogadores, seja colaborações noticiadas como se fossem prisões, o rapid fire man está lá batido.

Até no lado das terras dos Viscondes de Alvaláxia, uma vez que o comboio se vai afastando - é ainda muito cedo para se tirar conclusões  - se começa a apontar as espingardas a Norte. Afinal, não somos os coitadinhos que se esperava e toca a falar do FC Porto. Curiosamente, viu-se o quanto o seu Ratazana de Lança ficou lixado quando, prontinho que estava para ejacular precocemente, teve os seus queridos da segunda circular a fazer pior - e lá se foi a moral para falar.


Por último, enquanto o maior frangueiro da Champions deste ano dá conferências na WebSummit - vá-se lá saber porquê - o multi titulado guarda-redes do FC Porto, Iker Casillas, ganhou o prémio Golden Foot. É verdade, uns vivem na Terra do Nunca, a construir fumaça, outros vão efectivamente conquistando coisas de valor e trabalhando para chegar aos objectivos.

Sempre foi assim. Sempre será. Continuem a ejacular precocemente. Será sempre sinal que incomodamos. E assim, teremos a certeza que somos melhores.

domingo, 5 de novembro de 2017

Análise FC Porto 2-0 Belenenses - Vertigem de Querer Vence o Cansaço


Depois de uma fantástica vitória frente ao Leipzig, da lesão de Marega e da fadiga de Corona, estava no horizonte o encontro com o muito bom Belenenses do nosso - meu, pelo menos - querido Domingos Paciência, que, é bom que se diga, vinha numa forma melhor do que a do fifica e do sportem, e está agora num mui honroso sétimo lugar, mesmo após ter perdido. 

Assim sendo, Domingos foi inteligente, soube aproveitar as fragilidades do modelo do FC Porto, jogou na expectativa tentando aproveitar o natural adiantamento, a falta do pêndulo Danilo  e jogando em contra ataque rápido. Sim, ele tem razão, pode queixar-se de falta de eficácia.

Mas do outro lado teve o FC Porto 2017/2018: rápido, intenso, pressionante e mandão. E assim, não é surpresa que, no primeiro terço do encontro, só tivesse dado FC Porto. Não houve critério na decisão final, faltou sabedoria na criação da jogada, enfim, maior clarividência na área e perto dela.

Mas o golo de Herrera é justo, não só pelo domínio, como pelo jogador, quie continuou a encher o campo com bons pormenores, intensidade e transporte de bola

Sim, a vertigem continua lá, a velocidade quase frenética e o querer estão lá também.

Na segunda parte o Belenenses cresceu, em virtude do nosso cansaço, naturalíssimo em virtude de tal intensidade mais que frenética que causa a sua mossa, e houve, aqui e ali, sustos bem derimidos por um apoio defensivo forte e por um cada vez mais seguro José Sá. Aquando da entrada de Corona e depois de Sérgio Oliveira e Galeno, regressou muita da frescura e o 2-0 natural (que jogada de Herrera, que bem feito por Galeno e que finalização de Aboubakar!) selaram um encontro, onde a justa vitória nos deixou muito líderes - mas justamente também.

Não posso deixar de destacar Diego Reyes, muito bem na sua função de trinco (não tão bem como Danilo, mas até com melhor saída de bola e bom posicionamento) e infelizmente, porque sou justo, Felipe tem mesmo de descansar: há motivos para penalti e a falha de posicionamento em vários lances deixou-me preocupado.

Felipe, ixnay on the Beckenbaueriae! 

Uma última nota: melhor FC Porto goleador dos últimos 50 anos. Mas também com muita, muita sorte. Sem critério e definição no meio campo, sem pausas e momentos, vai-se o equilíbrio. Mas este é o futebol de vertigem que todos parecem amar, verdade? 

Dizem que a sorte protege os audazes. Pois que assim continue. Quod me nutrit me destruit. Ou então não. Ou então a raça e o querer vencerão. Apostemos na segunda.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Análise FC Porto 3-1 RB Leipzig - Vitória Na Marra Embalada Pelo Querer


É nas grandes dificuldades que se vê a grandeza dos grupos, e este grupo do FC Porto de Sérgio Conceição é realmente um grande colectivo, cheio de união, amizade, amor e querer. A análise dos lances vai ser feita ad nauseaum, portanto vou concentrar-me noutro aspecto: só mesmo um FC Porto à Porto pode reagir desta forma a um puxar de tapete tão cedo.

Aqui ninguém baixa braços, ninguém precisa de "derrotas vitórias morais" nem de tirar o bom do mau - não nos descansamos enquanto não lá chegamos. Em Leipzig tínhamos ficado com um amargo de boca. Os primeiros 50 minutos faziam prever o pior. Então que fizemos? Fomos à luta.

O FC Porto - apoiado inequivocamente pelo Mar Azul - foi para cima do adversário e soube arrancar-lhe a vitória que soube por fazer merecer. Nem lesões, nem inversões de tendência, nem alterações de resultado nos deixaram melindrados.

As pernas não tremeram quando Maxi, que não jogava há uma porradona de tempo, atirou ao canto esquerdo e fez repousar a redondinha na rede de golo da baliza do RB. Foi assistido soberbamente por Aboubakar. Mas antes foi embalado por um Mar que soube sempre acreditar! Notável!

Saímos do Dragão todos rotos, alguns lesionados. Outros cansados. Afinal, era mais uma final. Estivemos à altura.

Esta pressão faz diamantes. Este grupo faz vitórias. à pressão. Na garra. Na marra! Rumo ao apuramento! 

Na Europa do futebol, só uma equipa escreve uma página digna. Essa equipa é o FC Porto!